Presidente do BRB vai à Faria Lima tentar vender ativos do Banco Master

Date: Feb 4, 2026
Image title: Presidente do BRB vai à Faria Lima tentar vender ativos do Banco Master
Image credit: Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Link: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/presidente-do-brb-vai-a-faria-lima-vender-ativos-que-comprou-do-master/

O Banco de Brasília (BRB) decidiu colocar no mercado carteiras de crédito e outros ativos associados ao Banco Master e deve tratar do assunto em São Paulo nesta quarta-feira (4), em reuniões com potenciais compradores na Faria Lima.


O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, confirmou que fará a viagem para negociar pessoalmente a alienação desses ativos. A estratégia envolve oferecer ao mercado itens que passaram ao banco após a compra de carteiras do Master, em um movimento voltado a reduzir a exposição a riscos.


Entre os bens citados está um terreno próximo à Cidade Jardim, na capital paulista. Também constam imóveis, restaurantes e outros ativos, com negociações que podem ocorrer de forma separada conforme o tipo e o valor de cada item.


As tratativas incluem carteiras e fundos avaliados em R$ 21,9 bilhões. Segundo as apurações mencionadas, a expectativa é de que o interesse venha sobretudo de fundos especializados em ativos problemáticos, além de bancos e gestoras de crédito voltados para partes consideradas mais “limpas” e investidores do segmento imobiliário no caso dos imóveis.


O pano de fundo é a liquidação extrajudicial do Banco Master e o avanço de investigações conduzidas pela Polícia Federal. A apuração menciona a compra, pelo BRB, de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito classificadas como de baixa qualidade e sem garantia financeira, atribuídas ao Master.


O BRB vinha adquirindo créditos do Master desde 2024, durante a presidência anterior de Paulo Henrique Costa. Em março de 2025, foi anunciado um acordo para compra do Banco Master, em uma operação estimada em R$ 2 bilhões, mas a transação foi vetada pelo Banco Central em setembro. Paulo Henrique Costa foi afastado e depois demitido.


No âmbito das investigações, a PF abriu inquérito para apurar suspeita de gestão fraudulenta no BRB e informou o caso ao STF; a apuração corre em sigilo. O BRB declarou que encaminhou à PF um relatório preliminar de auditoria independente, entregue na última quarta-feira (29), e ao Banco Central nesta segunda-feira (2).


Além disso, foi citado um novo inquérito aberto na última semana, com foco em indícios adicionais de gestão fraudulenta. Entre os pontos apurados está a aquisição “pulverizada” de ações do BRB por empresários ligados ao Banco Master e à Reag Investimentos.


Paralelamente às vendas, o banco também avalia alternativas para reforçar o caixa, incluindo a criação de um fundo com imóveis do governo do Distrito Federal, com a possibilidade de uso em transferência à instituição ou como garantia para uma operação junto ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos).