Citação a Toffoli em relatório da PF leva STF a discutir suspeição

Date: Feb 12, 2026
Link: https://g1.globo.com/politica/blog/camila-bomfim/post/2026/02/12/toffoli-diz-a-fachin-que-nao-ve-impedimento-para-seguir-na-relatoria-do-caso-master.ghtml

O STF entrou em nova etapa de discussão interna depois que um relatório da Polícia Federal, entregue nesta semana, trouxe menções ao ministro Dias Toffoli em conversas extraídas do celular de Daniel Vorcaro, associado ao Banco Master.


Nesta quinta-feira (12), o presidente do Supremo, Luiz Edson Fachin, antecipou o encerramento da sessão plenária e convocou uma reunião com os ministros para apresentar o material recebido na segunda-feira e também detalhar a manifestação enviada por Toffoli. Parte dos ministros participou por vídeo, enquanto o encontro ocorreu na presidência do STF. O conteúdo do relatório e a resposta do ministro seguem sob sigilo.


A PF encaminhou o material a Fachin na quarta-feira (11), por meio do diretor-geral Andrei Passos Rodrigues. De acordo com as informações, a Polícia Federal não solicitou a suspeição de Toffoli, mas o conteúdo gerou questionamentos sobre a continuidade do ministro na relatoria do caso Master.


Ainda nesta quinta-feira (12), Toffoli encaminhou sua resposta oficial a Fachin. Segundo interlocutores, ele afirmou não enxergar impedimento ou suspeição que o leve a deixar o processo, sustentando que sua participação societária é permitida pela Loman (Lei Orgânica da Magistratura Nacional) e que é "apenas vedado de praticar atos de gestão na qualidade de administrador".


A controvérsia envolve a Maridt Participações, descrita como empresa familiar na qual Toffoli integra o quadro societário e que é dirigida por irmãos do ministro. Segundo as informações, a Maridt realizou negócios com um fundo gerido pela Reag, ligada ao Banco Master, tendo como ponto central o resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR). A empresa da família Toffoli esteve entre as proprietárias do empreendimento até fevereiro do ano passado.


Entre os investigados na segunda fase da Operação Compliance Zero está João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag Investimentos, em apuração sobre suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master. No mesmo contexto, Toffoli declarou que é sócio, mas que seu nome não constava em registros públicos devido ao formato de sociedade anônima de capital fechado, além de afirmar que não atua como sócio-administrador.


O relatório já foi encaminhado à PGR, e o procurador-geral Paulo Gonet pode se manifestar. Paralelamente, a representação da PF foi autuada como arguição de suspeição, procedimento que, pelo regimento interno do STF, deve ser submetido ao plenário em sessão secreta, com expectativa de ocorrer nos próximos dias.