Escoriações no pescoço reorientam apuração sobre suposto suicídio de PM

Date: Mar 10, 2026
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Image credit: Reprodução/TV Globo
Link: https://www.band.com.br/noticias/jornal-da-band/ultimas/laudo-aponta-marcas-no-pescoco-da-pm-gisele-e-podem-indicar-luta-corporal-202603092018

A morte de Gisele Alves, de 32 anos, voltou ao centro da investigação após a polícia receber, no fim da tarde de segunda-feira (9), um laudo de exumação que registrou pequenas escoriações na região do pescoço.


A exumação foi feita na sexta-feira (6), em Suzano, na Grande São Paulo. Depois disso, exames complementares passaram a ser solicitados para apurar a possibilidade de compressão na área cervical antes do disparo.


No sábado (7), médicos legistas do Instituto Médico-Legal (IML) Central da capital realizaram exames de imagem, incluindo uma tomografia, para avaliar a lesão observada.


Gisele foi encontrada morta com um tiro na cabeça na manhã de 18 de fevereiro, no apartamento onde vivia com o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, no Brás, região central da capital. O registro inicial tratou o caso como suicídio, mas a apuração passou a considerar morte suspeita.


Além das escoriações descritas no laudo, um socorrista mencionou em depoimento ter notado uma área arroxeada na altura da mandíbula.


A linha do tempo também entrou em análise. Uma vizinha relatou ter acordado às 7h28 após ouvir um estampido único e forte. A primeira ligação do tenente-coronel para a PM ocorreu às 7h57. Nela, ele disse: " Minha esposa é policial feminina. Ela se matou com um tiro na cabeça. Manda o resgate e uma viatura aqui agora, por favor". Às 8h05, ele fez nova ligação, desta vez ao Corpo de Bombeiros, afirmando que a mulher ainda estava respirando. As equipes chegaram às 8h13.


O socorrista afirmou que fotografou a cena por considerá-la incomum e relatou que a arma estava posicionada na mão da vítima de uma forma diferente do que já havia visto. Ele também disse que o sangue já estava coagulado e que não havia cartucho de bala no local, além de mencionar que não viu água no chão, apesar da informação de que o tenente-coronel estaria tomando banho quando ouviu o disparo.


Outro ponto sob apuração envolve o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo. Registros indicam chegada ao prédio por volta das 9h07, com ida ao apartamento junto do tenente-coronel. Às 9h18, o magistrado reapareceu no corredor. Cerca de 11 minutos depois, Geraldo Neto saiu do imóvel com outra roupa e após ter tomado banho.


O laudo pericial descreveu o disparo de baixo para cima, com a arma encostada à cabeça, atrás da orelha. A investigação também aguarda exames sobre possíveis resíduos biológicos sob as unhas de Gisele.