BRB se reúne hoje com o BC para apresentar plano para recompor perdas ligadas ao Master

Date: Feb 6, 2026
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Image credit: Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
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O BRB (Banco de Brasília) entrega nesta sexta-feira (6) ao Banco Central um plano de capitalização para atender às exigências de capital após perdas relacionadas a operações com o Banco Master. Caso a proposta receba aval da autoridade monetária, a execução deverá ocorrer em até 180 dias.


De acordo com o que está em discussão, o BRB precisa apresentar mais de uma alternativa ao BC. Havia pelo menos cinco caminhos na mesa, incluindo medidas que dependem de decisões fora do banco.


A opção trabalhada com mais intensidade nas últimas semanas envolve uma linha de empréstimo emergencial do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), com ativos oferecidos como garantia pelo governo do Distrito Federal, controlador do BRB. Essa iniciativa, porém, exige aprovação da Câmara Legislativa do Distrito Federal.


Outra alternativa discutida é a criação de um fundo com imóveis do governo do DF a serem transferidos para o BRB. Também entrou no debate a possibilidade de repasse de ações de estatais, entre elas a CEB Ipes, ligada à iluminação pública.


Na semana passada, entidades da indústria da construção civil e do mercado imobiliário do DF declararam apoio institucional ao BRB. As associações afirmaram que o banco tem 62,8% de participação no mercado e atua como parceiro nas políticas de moradia. Nos últimos dias, segundo relatos reservados de representantes do setor e de parlamentares, a proposta do fundo imobiliário ganhou força.


Em meio às discussões sobre o desenho de ativos, foi mencionada a hipótese de incluir o Centrad, prédio fechado há 12 anos, além de grandes áreas, em vez de lotes menores distribuídos em diferentes regiões administrativas.


Entre as demais alternativas listadas estão um repasse direto do Tesouro do DF, com participação de minoritários, e um empréstimo estruturado por um consórcio de bancos. Deputados distritais da base do governador Ibaneis Rocha (MDB) reconhecem a complexidade do tema e dizem que o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, tem demonstrado otimismo.


Nesta semana, Nelson foi a São Paulo para tentar negociar ativos adquiridos do Master. Em paralelo, parlamentares relataram que a lista de estatais disponíveis é reduzida: a parte mais rentável da CEB (Companhia Energética de Brasília) foi privatizada em 2020 e passou a ser a empresa Neoenergia, enquanto a Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal) não tem ações em Bolsa.


Em entrevista à Folha, Nelson afirmou: " O BRB não vai quebrar, não vai ter intervenção, não vai ter liquidação". Já o secretário de Economia do DF, Daniel Izaías de Carvalho, disse: " O Distrito Federal tem ativos suficientes para fazer frente a uma necessidade de aporte de capital" e acrescentou: " Tem condições de se organizar para socorrer o banco em um determinado momento, se for necessário. "


No histórico que embasa a necessidade de recomposição de capital, investigações apontam que, sob a gestão de Paulo Henrique Costa, o BRB comprou R$ 12,2 bilhões em créditos falsificados do Master e assumiu o controle de fundos ligados à ciranda financeira observada por autoridades. No ano passado, o BRB informou ter recuperado parcialmente valores, em cerca de R$ 10 bilhões.


Em depoimento à Polícia Federal, o diretor de Fiscalização do BC, Aílton de Aquino, disse que o provisionamento para cobrir perdas pode chegar a R$ 5 bilhões, devido ao uso de ativos de baixa qualidade na substituição dos ativos problemáticos. O detalhamento do valor deverá constar do documento entregue ao Banco Central.


Após alerta do BC, o banco de Daniel Vorcaro devolveu R$ 10 bilhões em ativos, segundo as informações relatadas.