Eduardo Bolsonaro confirma assinatura como produtor-executivo de "Dark Horse"

Date: May 16, 2026
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Image credit: Reprodução/Instagram @bolsonarosp
Link: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/05/15/ex-deputado-federal-eduardo-bolsonaro-admite-que-assinou-documento-como-produtor-executivo-do-filme-sobre-o-pai.ghtml

Documentos datados de novembro de 2023 e fevereiro de 2024, revelados pelo site Intercept Brasil, colocaram o nome de Eduardo Bolsonaro em papéis relacionados ao filme sobre Jair Bolsonaro, projeto que inicialmente teria o título “O Capitão do Povo” e que também aparece associado ao nome “Dark Horse”. Nesta sexta-feira (15), Eduardo afirmou que assinou um contrato como produtor-executivo e disse ter atuado para viabilizar recursos ao diretor.


O contrato, datado de novembro de 2023 e assinado por Eduardo em janeiro do ano seguinte, aponta a Go Up, empresa sediada nos Estados Unidos, como produtora do filme. No documento, Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias são listados como produtores-executivos, com atribuições ligadas a orçamento, gestão financeira e estratégias de financiamento. Entre as atividades descritas, constam “envolvimento nas considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme e a preparação de informações e documentação para investidores e assistência na identificação de recursos de financiamento de filmes, incluindo créditos e incentivos fiscais, colocação de produtos e patrocínio”.


Segundo o Intercept, há ainda um documento de fevereiro de 2024 com uma minuta de aditivo em que Eduardo seria qualificado como financiador e autorizaria o uso de recursos que ele investisse no projeto, sem confirmação de assinatura do aditivo.


O assunto ganhou novo capítulo após a divulgação, pelo Intercept, de mensagens de março de 2025 entre Eduardo Bolsonaro e o empresário Thiago Miranda. O empresário intermediou o contato entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. Na quarta-feira (13), o Intercept informou que Flávio Bolsonaro cobrou repasses para a produção do filme. O senador confirmou os repasses e também o envio de recursos para um fundo de investimentos nos Estados Unidos administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.


Na quinta-feira (14), Eduardo Bolsonaro publicou em rede social que não ocupou função de gestão ou emprego no fundo e disse ter apenas cedido direitos de imagem. Já nesta sexta-feira (15), após a divulgação do contrato, ele declarou em vídeo ter assinado como produtor-executivo para manter o diretor no projeto e admitiu participação na captação de recursos.


No vídeo, Eduardo afirmou que o dinheiro usado nessa etapa veio de um curso chamado “Ação Conservadora”. Ele disse: “Com o dinheiro dos recursos da Ação Conservadora, eu peguei R$ 350 mil, transformei em cerca de US$ 50 mil e mandei pros Estados Unidos”. Em seguida, acrescentou: “A ideia era atrair investidores para viabilizar a produção. Conseguimos manter o diretor contratado por dois anos, assumindo integralmente os riscos”.


Eduardo também afirmou que o valor foi entregue a Mario Frias, que assina o documento revelado pelo Intercept como produtor-executivo. Ele disse ainda que deixou a posição de produtor-executivo quando o dinheiro do filme passou a ser direcionado para o fundo administrado por Paulo Calixto, e declarou ter recebido de volta os US$ 50 mil investidos.


Em nota, Mario Frias afirmou que Eduardo Bolsonaro não é e nunca foi produtor-executivo do filme “Dark Horse” e que “bem como, nunca recebeu qualquer quantia do fundo de investimento cujo produto privado final é o filme”.


A Polícia Federal vai apurar os repasses de Daniel Vorcaro ligados ao financiamento do filme e se esses recursos foram usados para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.