Governo Lula discute renegociação de dívidas que pode alcançar R$ 140 bilhões

Date: Apr 17, 2026
Link: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/04/17/soma-das-dividas-dos-enrolados-no-alvo-do-novo-programa-de-renegociacao-pode-chegar-a-r-140-bi.ghtml

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva e o setor financeiro vêm tratando, desde o fim de março, de um novo programa voltado à repactuação de dívidas de pessoas com renda de até 5 salários mínimos, com base em números de dezembro de 2025.


Interlocutores envolvidos nas conversas indicam que o estoque potencialmente enquadrável pode chegar a R$ 140 bilhões, considerando atrasos de 91 dias a três anos em modalidades como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal não consignado.


Pelas estimativas usadas nas discussões, cerca de R$ 80 bilhões desse total estão associados a dívidas de cartão, enquanto aproximadamente R$ 50 bilhões dizem respeito ao crédito pessoal não consignado e R$ 10 bilhões ao cheque especial. Ainda assim, o volume final dependerá de parâmetros que seguem em aberto.


Entre os pontos ainda não fechados está a faixa de atraso que será aceita. Houve proposta inicial de trabalhar com dívidas vencidas entre 61 dias e 360 dias, mas o mercado defende a inclusão do intervalo de 91 dias a três anos.


A definição do limite de renda também continua em debate. Há posições dentro do governo que defendem um recorte de até três salários mínimos, mas as conversas estão mais próximas de manter o teto em até 5 salários. Simulações apontam que, se a faixa cair para três salários mínimos, o estoque elegível ficaria em torno de R$ 125 bilhões.


Outro tema é a participação do Fundo de Garantia de Operações (FGO). As discussões incluem se a cobertura será integral para quem recebe até 5 salários mínimos ou se ficará restrita à faixa de até três salários mínimos, com possibilidade de garantia parcial para rendas acima de três salários.


O aporte do governo no fundo para cobrir pagamentos aos bancos em caso de nova inadimplência é estimado entre R$ 5 bilhões e R$ 10 bilhões.


Sobre as condições da renegociação, a indicação apresentada nas conversas é que o desconto mínimo varie conforme a idade da dívida, com percentuais de 80% a 90% considerados possíveis para parcelas com pelo menos um ano de atraso. A taxa de juros, por sua vez, não deve ultrapassar 2%.


A intenção é anunciar a política até o fim de abril, com início de vigência no começo de maio, em referência ao Dia do Trabalhador. O prazo previsto para as renegociações é de três meses, e novas reuniões devem ocorrer nos próximos dias.